Na entrevista ao Porto Canal, o Presidente da Águas do Douro e Paiva, António Borges, defendeu que as infraestruturas críticas não podem atuar de forma reativa perante um contexto cada vez mais marcado por fenómenos extremos e imprevisíveis.

Perante tempestades prolongadas, incêndios, crises energéticas, incluindo o apagão registado no ano passado, António Borges considera que o país enfrenta um “novo normal”, caracterizado por acontecimentos mais frequentes e mais intensos, que exigem preparação estrutural e capacidade de antecipação. “Não esperámos pela catástrofe”, afirmou, sublinhando que a empresa tem vindo a investir de forma consistente na resiliência do sistema de abastecimento de água que serve 22 municípios da região do Grande Porto.

Segundo António Borges, o desafio não passa apenas por responder a emergências, mas na criação de condições para que estas não comprometam serviços essenciais. Nesse sentido, destacou a aposta numa estratégia multissetorial, que inclui o reforço das comunicações, da autonomia energética, da redundância de sistemas e da incorporação tecnológica.

A criação de uma rede telefónica própria, assente na rede de 485 quilómetros de fibra ótica dedicada, complementada por um sistema de telefonia VoIP, é apresentada como um exemplo concreto dessa visão. Esta rede permite manter comunicações internas autónomas entre trabalhadores e instalações operacionais, reduzindo a dependência de operadores externos e reforçando a capacidade de coordenação em cenários de falha generalizada.

Durante a entrevista, o Presidente da AdDP alertou, ainda, para o que considera ser uma tendência nacional para agir apenas após episódios críticos. Na sua leitura, a memória curta e a cultura de reação imediata fragilizam o país perante novos eventos extremos, defendendo uma lógica de planeamento contínuo para garantir que serviços essenciais, como o abastecimento de água, não são interrompidos.

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