Qui, 18 Julho, 2019  |

ETA de Lever

 Considerada das melhores estruturas do género na Europa, a ETA de Lever é responsável pelo  tratamento de água para cerca de milhão e meio de habitantes, 85% da população abrangida por todo  sistema da AdDP. Constitui por isso a mais emblemática estrutura da empresa e emprega os mais  sofisticados meios tecnológicos no processo de tratamento, tornando-a capaz de produzir cerca de 400  mil m³ de água por dia, sempre com base no respeito pelas regras ambientais, encontrando-se  perfeitamente integrada na paisagem circundante. 
 
 A ETA é procurada, frequentemente, para a realização de atividades de Investigação e Desenvolvimento,  com base em acordos com a comunidade científica. 
 
 O Complexo de Lever inclui as infraestruturas já existentes no local aquando da criação da empresa, e  que pertenciam aos Serviços Municipalizados do Porto e de Vila Nova de Gaia: três poços de captação  em profundidade, situados no areal de Lever, duas estações elevatórias e duas subestações de energia.  Até 1999 estas infraestruturas eram as únicas responsáveis pelo abastecimento de água aos municípios  a Norte e a Sul do rio Douro, mas eram manifestamente insuficientes face à evolução prevista dos  consumos. Para reforçar a capacidade do sistema, a empresa construiu, entre setembro de 1997 e  março de 2000, uma estação de tratamento de água (ETA) que utiliza as mais modernas tecnologias no  processo de tratamento, uma captação de água superficial, um reservatório de água bruta e outro de  água tratada, uma unidade de pré-tratamento, uma unidade de tratamento de lamas, uma estação elevatória e um laboratório de processo. Em 2007, foi ainda construído um edifício de exploração. 
 
O projeto de arquitetura, que privilegiou uma adequada integração paisagística do edifício, é da autoria do Arquiteto Alcino Soutinho. O conjunto de investimentos associados a esta obra ascendeu a 50 milhões de euros.  
 
Para instalar todas estas novas infraestruturas junto à Albufeira de Crestuma-Lever, foi necessário construir uma plataforma de 40.000 m², envolvendo um aterro de 530.000 m³. De salientar que, durante a construção da plataforma, e com o objetivo de evitar ruturas no abastecimento de água – resultantes não só do crescimento dos consumos como do fenómeno de colmatação do areal de Lever -, a empresa instalou, provisoriamente, uma ETA compacta. Esta solução permitiu aumentar a capacidade de produção de água do Complexo de Lever em 30.000 m³/dia.
 
Com o conjunto de infraestruturas que compõem o Complexo de Lever, a AdDP garante o abastecimento de água nas quantidades necessárias, através de processos de produção eficientes e respeitadores dos valores sociais e ambientais mais elevados e a um preço socialmente justo. Desta forma, a empresa contribui decisivamente para a qualidade de vida, o desenvolvimento socioeconómico e o equilíbrio ambiental do Grande Porto.
 
 
Processo de Tratamento
 
Captação
 
A água é captada na albufeira de Crestuma-Lever por grupos de elevação submersíveis e encaminhada para um reservatório de água bruta. 
 
 
 
A cota da superfície da água neste reservatório é suficiente para facilitar substancialmente o escoamento de água até ao final do processo (aproveitamento gravítico).                 
 
Pré-Tratamento
Esta fase pode receber água da captação superficial ou água das atuais captações subterrâneas, de Lever Montante. Em 2007, foi construída uma unidade para precipitação de Manganês, para o caso da água sub-aluvionar. 
 
Para ambos os tipos de captação (superficial e em profundidade), a água recebe um tratamento inicial de filtração pressurizada, passando no sentido descendente por filtros “multicamada”, compostos por uma camada de antracite e por várias camadas de areia, de diferente granulometria. 
 
Ao ser filtrada por este processo, a água beneficia de uma forte redução da sua turvação ou do seu teor de Manganês, conforme a situação (respetivamente, captação superficial e captação em profundidade).
 
 
Pré-Oxidação
Nesta etapa, a água captada é tratada com Ozono. Este produto oxida a matéria orgânica e elimina microrganismos e algas existentes na água. O Ozono é produzido no local, a partir de Oxigénio.
 
Coagulação/Floculação
 
Após a pré-oxidação, a água é doseada com sulfato de alumínio (coagulante) conjuntamente com um floculante. A adição destes reagentes permite a agregação das partículas em suspensão, facilitando a sua separação nas etapas de tratamento subsequentes. Graças ao perfil hidráulico da instalação, a mistura destes produtos com a água é conseguida sem recorrer a misturadores mecânicos, otimizando a eficiência processual e reduzindo os custos energéticos.
 
Doseamento de Carvão Ativado em Pó
Para remover eventuais pesticidas e melhorar as características organoléticas da água, é possível dosear, juntamente com os reagentes floculantes, Carvão Ativado em Pó.
 
CoCoDAFF (Flotação e Filtração)
O processo CoCoDAFF (Counter Current Dissolved Air Flotation and Filtration), conjuga numa só unidade duas etapas de tratamento: flotação e filtração. Na primeira, os flocos formados na etapa da coagulação/floculação são arrastados para a superfície, por microbolhas de ar introduzidas na unidade. Na segunda etapa, a água clarificada entra diretamente no filtro, constituído por areia e antracite, onde são capturadas as partículas sólidas mais pequenas, que não tenham sido separadas na flotação. Esta tecnologia permite a remoção eficaz de substâncias pouco densas, nomeadamente, as algas.
 
Desinfecção final
É efetuada uma desinfeção final com Cloro, de modo a garantir a qualidade bacteriológica de água produzida, quer à saída da estação, quer ao longo de toda a rede de distribuição.
 
Elevação de Água Tratada
A água tratada é armazenada num reservatório com capacidade para 30.000 m³, sendo depois elevada para os Reservatórios de Jovim, de Lagoa e de Seixo Alvo.
 
Tratamento de Lamas
As águas de lavagem dos filtros e as lamas recolhidas à superfície do CoCoDAFF são dirigidas para a Unidade de Tratamento de Lamas, onde são desidratadas. Este processo é realizado em duas etapas: espessamento e centrifugação. A água recuperada durante este processo é encaminhada para o reservatório de água bruta, ou seja, para o início do processo de tratamento de água. 
 
Controlo de Qualidade
Ao longo da Estação de Tratamento existem diversos pontos de amostragem e de análise automática de diversos parâmetros da qualidade da água. Estes analisadores permitem uma monitorização constante da eficiência do processo e do controlo da qualidade da água produzida.