Os Rios

Rio Douro

O rio Douro nasce em Espanha, nos picos da serra de Urbión, (Sória), a 2080 metros de altitude e tem a sua foz na costa atlântica, na cidade do Porto.

A Bacia Hidrográfica do Douro tem uma superfície de aproximadamente 18710 km2. O seu curso tem o comprimento total de 850 km. Desenvolve-se ao longo de 112 km de fronteira portuguesa e espanhola e de seguida 213 km em território nacional. A sua altitude média é de 700 metros.

No início do seu curso é um rio largo e pouco caudaloso. De Zamora à sua foz, corre entre fraguedos em canais profundos. O forte declive do rio, as curvas apertadas, as rochas salientes, os caudais violentos, as múltiplas irregularidades, os rápidos e os inúmeros "saltos" ou "pontos" tornavam este rio indomável. Aproveitando o elevado desnível, sobretudo na zona do Douro internacional, o desnível médio é de 3m/km, a partir de 1961, foi levado a cabo o aproveitamento hidroeléctrico do Douro.

Com a construção das barragens, criaram-se grandes albufeiras de águas tranquilas, que vieram incentivar a navegação turística e recreativa, assim como a pesca desportiva. Excluindo-se os períodos de grandes cheias, pode dizer-se que o rio ficou domado definitivamente.

No seu curso, entre Bemposta e Picote, pode ser visto, nas suas águas espelhadas, tudo o que rodeia este ambiente: as nuvens, o sol, os montes, as fragas e as aves. Nas fragas mais altas podem ser vistas aves de rapina, guardando os seus ninhos

Viajando até junto do Douro, que serpenteia entre as arribas, pode ver-se onde vivem e/ou nidificam abutres (Neophron percnopterus), grifos (Gyps fulvus), águias, pombos bravos (Columba oenas), andorinhas (família Hirundinidae), etc., e nas ladeiras do mesmo, a perdiz (Perdix perdix), a rola (Streptopelia turtur), o estorninho (Sturnus spp.), os melros (Turdus merula), o papa figo (Oriolus oriolus), etc.

Dentro das matas de zimbros, estevas, carvalhos, sobreiros e pinheiros e outras variedades de vegetação das encostas do Douro, podem ainda encontrar-se espécies cinegéticas, que são uma das maiores riquezas naturais da região: o corço (Capreolus capreolus), o javali (Sus scrofa), o coelho (Oryctolagus cuniculus), a lebre (Lepus europaeus), o lobo (Canis Lupus), a raposa (Vulpes vulpes), o texugo (Meles meles), a geneta (Genetta genetta), etc.


Rio Paiva

Curso de água de média dimensão, o rio Paiva é um rio português que nasce na Serra da Nave em Moimenta da Beira e desagua no Douro em Castelo de Paiva, com um comprimento de cerca de 111 km e uma área de bacia de 77 km2. Foi considerado ainda não há muitos anos o rio menos poluído da Europa, e ainda hoje é local de desova da truta (Salmo truta). Tem como principais afluentes os seguintes cursos de água: Rio de Frades, Rio Paivô.

O rio Paiva corre num vale com vertentes de declive suave, predominando os matos, campos agrícolas e prados; no seu troço médio corre num vale encaixado com matos e manchas de pinheiro; nas margens alternam troços rochosos com afloramentos e bancos de pedras e troços com margens de terra, apresentando uma vegetação ripícola bem conservada e desenvolvida .

O rio Paiva apresenta uma vegetação ripícola com Amieiros (Alnus glutinosa) e Salgueiros (Salix spp) relativamente bem conservada e frequentemente bordejada por carvalhais de Carvalho Alvarinho (Quercus robur) fragmentários. Em termos de qualidade da água, o rio Paiva é considerado um dos melhores da Europa. Para o lobo (Canis lupus) constitui uma importante zona de passagem/ligação entre as Serras de Montemuro, Freita/Arada e Lapa/Leomil e a alcateia de Mões. Engloba uma área importante para a conservação da Toupeira de água (Galemys pyrenaicus) .

A principal ameaça provém da invasão pelas acácias (Acacia spp.) e dos frequentes povoamentos monoculturais de eucaliptos (Eucalyptus). Implementação de pequenos e grandes empreendimentos hidroeléctricos; casos pontuais de extracção e lavagem de inertes

Rio Ferreira

O rio Ferreira nasce na Raimonda, em Paços de Ferreira e desagua no lugar da Ribeira, no Rio Sousa. Percorre cerca de 30 km pelas freguesias de Paços Ferreira, Valongo e Gondomar.

Diziam as Memórias Paroquiais acerca do Rio Ferreira: "nasce na serra de Santa Águeda, e tem o seu princípio com duas fontes, que nascem separadas meio quarto de légua; uma nasce em São Pedro de Raimonda, outra em São João de Codeços, freguesias do Arcebispado de Braga; juntam-se estas fontes ambas por baixo da Ponte de Sobrão na freguesia de Paços de Ferreira, que dista de seus nascimentos uma légua".
Atravessa S. Pedro da Cova na direcção N. S. banhando as povoações de Couce, Belói, Carvalhal e Méguas.


São afluentes do rio Ferreira:

Ribeiro da Covilhã - nasce em S. Cosme de Gondomar e passa por S. Pedro da Cova.
Ribeiro de Belói - nasce e desagua dentro da freguesia de S. Pedro da Cova.
Ribeiro de Méguas - nasce na Sousa e desagua na Foz do Sousa.
Ribeiro Ferreirinha - nasce e desagua na Sousa.
Ribeiro de Trabaços - nasce na Sousa e passa pelo lugar de Trabaços, da mesma freguesia, onde desagua.

Rio Vizela

O rio Vizela nasce na Serra de Cabeceiras (Alto de Morgair), entre as freguesias de Aboim e Gontim (Fafe). Tem uma extensão de cerca de 40 km.

É um rio português que corre em direcção geral sudoeste até perto de Jugueiros, em Felgueiras. Aí segue para oeste em direcção a Vizela para desaguar na margem esquerda do rio Ave, perto de Vila das Aves. No seu percurso, na direcção Nordeste-Sudoeste, banha sucessivamente os concelhos de Fafe, Felgueiras, Guimarães, Vizela e Santo Tirso.

O seu nome deriva da palavra latina Avicela, que pode significar “pequeno rio” ou “pequena Ave” por ser afluente do rio Ave.

O rio Vizela, principal afluente do Ave, tem as suas cabeceiras a uma cota superior aos 700 metros de altitude e vai desaguar, no Rio Ave, a cerca de 40 km a montante de Vila do Conde. Quer nas suas margens quer nas dos seus dois principais afluentes, rios Ferro e Bugio, encontram-se instaladas importantes unidades industriais, grandes consumidoras/utilizadoras de água.

É um curso de água de média dimensão que corre, em geral, num vale pouco encaixado, onde dominam os campos agrícolas; no troço a montante de Vinhos, as encostas, com declive acentuado, apresentam matos, manchas de carvalho, pinheiro e eucalipto; as margens estão em geral bem conservadas, apresentando nos troços superiores, alguns pequenos muros de pedra e uma elevada cobertura por vegetação ripícola, com amieiros (Alnus Miller) e carvalhos (Quercus spp.), salgueiros (Salix spp.) e alguns eucaliptos (Eucaliptus spp.). O substrato é granítico; alternam zonas com um declive do leito acentuado, com rápido, pedras emersas (por vezes grandes blocos), e tufos de vegetação no leito, e troços mais calmos, em geral de maior profundidade, dominando a areia e sedimentos finos do leito; aparente razoável qualidade da água nos troços médio e superior, no entanto, nos troços inferiores são localmente observadas situações de degradação da qualidade da água e a presença abundante de detritos sólidos nas margens do leito; ocorrência de lontra (Lutra lutra), alvéola cinzenta (Motacilla cinérea) e rã-ibérica (Rana iberica).


Rio Ferro

Afluente do Vizela, o rio Ferro é um curso de água de pequena dimensão, corre num vale pouco encaixado, onde dominam os campos agrícolas, mas onde localmente surgem troços cujas encostas apresentam um declive acentuado; nas zonas de cabeceira, as margens estão bem conservadas com amieiros, salgueiros e, nalguns troços, com choupos e plátanos, como suporte das videiras marginais; para jusante de Fafe, alternam troços com vegetação ripícola bem conservada, essencialmente com amieiros, troços com visíveis situações de degradação das margens (destruição de vegetação ripícola e erosão) e troços em que a vegetação é constituída pelo estrato herbáceo e pelas árvores-suporte das videiras marginais.

Aparente boa qualidade da águas nos troços de cabeceira; para jusante de Fafe pode ser observada uma diminuição da qualidade da água, acentuada para jusante de Armil; no troço final, em Ferro, a qualidade da água é sofrível, apresentando indicadores de poluição orgânica e química, que podem por em causa a sua capacidade de suportar fauna piscícola; nos troços de cabeceira, a fauna piscícola é constituída essencialmente por truta (Salmo truta).